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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Mestre Ricardo Dias, de Osasco


Conheça o professor, ator, jornalista e escritor que faz parte da história da nossa cidade


 Imagem: ipmosasco.com.br

Nascido na cidade de São Paulo em 30 de abril de 1947, Ricardo Aparecido Dias veio com os pais para
Osasco na década de 60 para servir ao exército de Quitaúna. Dispensado da obrigação militar, Ricardo fixou residência na Vila Yolanda e participou das atividades da Igreja Nossa Senhora da Conceição, em Quitaúna, onde conheceu a atriz Mercedes de Souza, com quem casou-se e teve dois filhos, Rodrigo e Ana Paula.

Em 2006, recebeu da Câmara de Vereadores de Osasco o título de cidadão Osasquense. E hoje a Bem+
Osasco entrevista e homenageia este cidadão querido pelos amigos, amado pela família, admirado pelos alunos e respeitado pela população, por sua contribuição cultural e histórica à cidade de Osasco.

Escolhemos cinco tópicos que fazem parte da trajetória de um homem que ama sua terra, luta contra o preconceito, possui grandes projetos e acredita na educação e na família.

Sobre OSASCO

Bem+ Osasco - Osasco completou cinquenta anos. Na sua opinião, o quanto evoluímos nestas décadas?
Ricardo Aparecido Dias - Evoluímos muito. Osasco conquistou identidade cultural, que é o mais importante. Até bem pouco tempo, ocultava-se o fato de ter nascido ou estar morando em Osasco. Hoje já não temos vergonha em nos declararmos osasquenses.

Sobre PRECONCEITO

BMO - No conto “Trabalhando em Silêncio” (1999) de sua autoria, o personagem Dito é humilhado pelo chefe por ser negro. Esta situação ainda é atual?
RAD - Meu conto mostra a necessidade de um esforço individual, no sentido de superar o preconceito
étnico, e reconhece também que o único caminho possível para isso é a Educação. A superação do preconceito étnico esbarra, porém, na dificuldade objetiva de a pessoa ter acesso à Educação.

BMO - Qual sua opinião sobre a obrigatoriedade de cotas?
RAD - É preciso eliminar essa barreira, ou através de cotas sociais na universidade pública ou oferecendo
financiamento acessível a elas nas universidades privadas. De uma forma ou de outra, a igualdade de
oportunidades é essencial para que se possa resgatar da marginalidade social as pessoas diminuídas pela
ação negativa dos preconceitos.

Sobre PROJETOS

BMO - Atualmente em quais projetos esta envolvido?
RAD - Atualmente estou muito empenhado em desenvolver projetos de coleta, registro e difusão de memória social. Já havia trabalhado nesse contexto nos anos 80. Tenho uma formação nesse campo – Museologia – e considero que o conhecimento do nosso passado é de fundamental importância para o nosso direcionamento no presente e no futuro.
Além de lecionar no UNIFIEO, sou também assessor de imprensa do IPMO - Instituto de Previdência do
Município de Osasco, e por conta do meu trabalho nesse órgão, estou redigindo um livro a respeito da
Memória dos Servidores Públicos da Prefeitura.
No UNIFIEO – Centro Universitário FIEO, onde leciono para o Curso de Jornalismo, penso em desenvolver um resgate da memória do jornalismo em Osasco e da influência dos nossos antecessores na formação da identidade cultural da cidade.

Sobre EDUCAÇÃO

BMO - Como e quando descobriu que lecionar é também uma arte?
RAD - No momento em que percebi que meu trabalho como ator, apesar de muito gratificante em termos
humanos, não me proporcionava segurança suficiente para criar os meus filhos. Foi então que comecei a
trabalhar como jornalista e, a seguir, como professor.
Costumo dizer que o professor é um privilegiado, pois tem um público cativo todas as noites da semana.

Sobre FAMÍLIA

BMO - O senhor enfrentou um câncer. Qual foi o papel da sua família na busca pela cura?
RAD - Na verdade, dificilmente a pessoa se cura de um câncer. O que acontece, geralmente, é a paralisação do processo evolutivo da doença.
É preciso ter consciência de que se é portador da doença e que se deve viver, da melhor maneira possível,
os anos que se tem pela frente.
Minha família foi fundamental no meu processo de recuperação. Como decorrência do tratamento adquiri
uma anemia profunda e minha mulher tornou-se uma especialista em alimentos que combatem essa
situação.

BMO - Esta doença pode deixar marcas físicas e psicológicas ou não, mas, todos que a enfrentam dizem que ela deixa alguma lição. Qual foi a lição que ficou para o senhor?
RAD - Meus filhos ficaram muito preocupados comigo. Senti-me amparado. Se é que pode haver algo
de bom num processo desse, esse benefício foi ter me aproximado ainda mais da minha família.

Redação Revista Bem+ Osasco

Biografia

Ricardo Dias é graduado em Jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, especialista em Museologia pela FESP - Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, mestre em Administração pelo UNIFIEO - Centro Universitário FIEO e em Gerontologia pela PUC – Pontifícia Universidade Católica.
Foi professor no Colégio Pe. Anchieta, Faculdade Fernão Dias e atualmente ministra aulas no UNIFIEO nos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Sistemas da Informação. Como jornalista, atuou como repórter e editor de jornais impressos em São Paulo e Osasco.
Formado pelo Curso de Teatro com Ibsen Wilde, em 1970, e Estúdio de Atores do SESI, com Osmar Rodrigues Cruz, em 1981, realizou diversas atividades: trabalhou no Teatro Amador em Osasco (1966-1971); “Morte e Vida Severina” de João Cabral de Melo Neto - Núcleo Expressão, 1975; “O Rio” de João Cabral de Melo Neto, 1973; “O Santo e a Porca” de Ariano
Suassuna, 1974; “Arena conta Zumbi” de Guarnieri, Boal e Edu Lobo, 1976; “O Santo Milagroso” - Teatro Popular do SESI, 1984; “Osasco dos Meus Amores” - Centro Cultural de Osasco, 1987 e foi diretor do Teatro Municipal de Osasco.
Como professor de teatro, a partir de 1970 lançou o Curso de Teatro de Osasco I e II, que deram origem ao Núcleo Expressão e ao Culturarte - Centro Cultural de Osasco. No cinema, atuou no filme “O Homem que Virou Suco” de João
 Batista de Andrade e, em televisão, nas novelas “Seu Quequé’ (TV Cultura) e “O Todo Poderoso” (TV Bandeirantes), entre outros.
Como pesquisador de memórias, desenvolveu o “Projeto Memória de Osasco” (memória oral da cidade), coordenou equipe de pesquisa de memória do Museu Dimitri Sensaud de Lavaud e pesquisa da memória da comunidade negra de Osasco, no Grupo Ouilombo de Osasco.
Como escritor, Ricardo Dias é autor das seguintes obras: Memória da Cultura Negra em Osasco (ensaio), 1985; Balanço de
Vida (poemas), 1986; Cadernos Negros volumes 10, 22 e Os Melhores (contos); Jugo Suave (poemas); Dívida Interna (poemas); O papel do Marketing no Espetáculo Teatral (dissertação de mestrado); Administração e Marketing no Teatro, 2005.

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